As feridas na relação entre o técnico Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, e o atacante Kleber, do Grêmio, tiveram oito meses para serem cicatrizadas. Nesta quarta-feira, às 21h50m (horário de Brasília), no Estádio Olímpico, primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, será possível ver se o tempo foi suficiente para acalmar os ânimos entre os ex-amigo, agora desafetos. Os caminhos de Felipão e Gladiador se cruzam pela primeira vez desde que o jogador deixou o Verdão xingando o comandante, em novembro de 2011. A expectativa é de que a paz seja reestabelecida, pelo menos momentaneamente.
Felipão e Kleber: ex-amigos. Agora, desafetos
Felipão e Kleber: ex-amigos. Agora, desafetos
Os dois lados admitem um cumprimento respeitoso no jogo de quarta-feira. A diretoria do Palmeiras tem visto um Felipão animado para o confronto, devido a tudo que envolve este Grêmio x Palmeiras: além do reencontro com Kleber, há o duelo com Vanderlei Luxemburgo e a chance de ser bem recebido pela torcida tricolor. O técnico teve passagem memorável pelo clube gaúcho nos anos 90.
– Acho que se o Kleber for falar com ele, haverá uma boa recepção. Os dois tinham boa relação no ano passado, mas algumas coisas fora do nosso alcance ocorreram. É coisa de momento, acho que o tempo esfriou suas cabeças – afirmou o vice-presidente do Palmeiras, Roberto Frizzo.
A briga começou em outubro, quando o volante João Vitor se envolveu em uma briga com torcedores do Palmeiras e chegou machucado à Academia de Futebol. O Verdão jogaria com o Flamengo no dia seguinte, no Rio de Janeiro, mas Kleber liderou um movimento para que os jogadores não viajassem no dia anterior à partida. Todos voltaram para suas casas e só embarcaram horas antes do duelo. O protesto muito mal com Luiz Felipe Scolari.
Àquela altura, Kleber era o capitão do time e perdeu a confiança do técnico, que passou a designar o volante Marcos Assunção para a função. A discussão com Luiz Felipe Scolari foi feia, a ponto de o atacante desferir xingamentos ao chefe. O Gladiador reclamava, principalmente, do fato de ninguém da cúpula palmeirense, Felipão incluído, ter prestado apoio a João Vitor depois da briga. Além disso, o Gladiador desabafou pelo fato de enxergar uma equipe mal escalada pelo técnico.
De acordo com relatos de jogadores e membros da comissão técnica que presenciaram a discussão entre os dois, Kleber e Felipão trocaram fortes insultos. O episódio ocorreu no dia anterior ao jogo contra o Fla, quando o jogador liderou o motim.
– Torcedores foram invadir sua casa? Foram invadir a minha – disparou Kleber.
– Você é um m... – retrucou o técnico.
– M... é você! Não sabe armar um time – rebateu o Gladiador.
A relação terminou assim, abrupta, sem qualquer chance de reconciliação naquele momento. Kleber não viajou para enfrentar o Flamengo e nunca mais vestiu a camisa do Palmeiras. Foi negociado com o Grêmio semanas depois. A própria negociação com o Fla, em julho, já havia deixado o ambiente pesado entre técnico e jogador – Felipão imaginava que Kleber estava forçando sua saída para o clube carioca.
Antes das brigas, porém, o relacionamento era quase de pai e filho. Ambos chegaram praticamente juntos ao Palmeiras, na metade de 2010. Imediatamente, o Gladiador virou peça-chave no esquema de Felipão. Ele fez do atacante um centroavante perigoso, e os gols começaram a aparecer. Em grande fase no Campeonato Paulista de 2011, Kleber chegou a ver uma campanha de seu técnico para que fosse convocado para a seleção brasileira. Por boa parte do ano, Luiz Felipe Scolari defendeu que não havia um centroavante melhor do que o seu jogando no Brasil.
Os oito meses subsequentes à briga foram apenas razoáveis para a dupla. Kleber começou bem sua passagem pelo Grêmio, mas uma lesão no tornozelo direito o tirou de combate por mais de dois meses – só agora está voltando à equipe. Já Felipão não conseguiu levar o Palmeiras ao título paulista e está cada vez mais pressionado no cargo. O técnico, inclusive, já afirmou que deixa o clube depois do fim do seu contrato, em dezembro deste ano. Depois do reencontro, apenas um deles terá a chance de buscar o título da Copa do Brasil.